
Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia,o olham
{como eu,
E nesse puro momento
Todo limpo e sensível
Regressam lacrimosamente
E com um suspiro que mal sentem
Ao homem verdadeiro e primitivo
Que via o Sol nascer e ainda não o adorava.
Porque isso é natural- mais natural
Que adorar o ouro e Deus
E depois tudo o mais que não há e a moral...
Obs: é um conforto buscar na linda fonte de Fernando Pessoa, a sua convicção em um homem solidário, cidadão do mundo. Para que construir muros visíveis e invisíveis se todos os homens em um momento do dia olham para o mesmo sol? Sinto-me de alma lavada quando procuro respostas pelas angústias, causadas por uma sociedade individualista, e as encontro em um grande poeta que de forma poética prega a união do homem como algo mais que natural mas sim uma predestinação da existência.
