terça-feira, 3 de março de 2009

OS OBJETIVOS DO PROJETO "BRASIL: NUNCA MAIS".

Desde seus primeiros passos,em agosto de 1979,até sua conclusão,em março de 1985,o Projeto de pesquisa "BRASIL:NUNCA MAIS"não tem outro objetivo que não seja o de materializar o imperativo escolhido como título da investigação:que nunca mais se repitam as violências,as ignomínias,as injustiças,as perseguições praticadas no Brasil de um passado recente.

Não é intenção do Projeto organizar um sistema de provas para apresentação em qualquer Nuremberg brasileiro. Não o anima qualquer sentido de revanche. Na busca da justiça,o povo brasileiro nunca foi movido por sentimentos de vingança.

O que se pretende é um trabalho de impacto,no sentido de revelar à consciência nacional com as luzes da denúncia, uma realidade obscura ainda mantida em segredo nos porões da repressão política hipertrofiada após 1964. É a observância do preceito evangélico que nos aconselha o conhecimento da verdade como pressuposto para a libertação.

Que ninguém participe desse debate nacional sem tomar conhecimento sobre o conteúdo deste livro,para que possa exigir medidas no sentido de não se repetirem esses anos de perseguição e ódio.

Que ninguém termine a leitura deste livro sem se comprometer, em juramento sagrado com a sua própria consciência, a engajar-se numa luta sem tréguas, num mutirão sem limites, para varrer da face da Terra a prática das torturas.

Para eliminar do seio da humanidade o flagelo das torturas,de qualquer tipo, por qualquer delito, sob qualquer razão.

São apenas esses os objetivos do PROJETO "BRASIL NUNCA MAIS".

São Paulo,março de 1985.


OB: Os brasileiros que se comprometeram engajar -se numa luta sem tréguas para varrer a prática da tortura, para que não se repita na história da humanidade e nem hajam mais Ditaduras; vêem com preocupação a posição do JORNAL A FOLHA DE SÃO PAULO em um editorial equivocado e imoral em que classificou a Ditadura Militar de 1964 de "Ditadura branda". Que vergonha um jornal tentar esconder a face cruel de uma Ditadura que é uma página terrível da história do Brasil. Que desrespeito a memória de nosso país! Pergunta que não quer calar no momento,em que esse PROJETO valioso que é um um verdadeiro testamento de nossa história recente faz 30 anos.
A FOLHA DE SÃO PAULO poderia responder: Está a serviço de quem? A quem interessa esquecer estes fatos cruéis de nossa história recente? Para quem esta Ditadura foi branda?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Viver a vida.(Autora :Graça Penna )

Quero sair pela vida,
com choro ou sorriso,
quero sair por aí,hoje
viver para não sentir
o lamento do não-vivido,
por ter ficado sentada
na primeira estação da vida
encantada com a beleza de minha imagem,
refletida no espelho,uma simples miragem.
Quero embarcar para descer,
em um espaço aberto de céu luminoso,
sol brilhante com seu calor a me aquecer,
abrir os braços,sentir o ar,respirar,
olhar a minha imagem no espelho d'agua,
imagem do ser que se olha e,
se ama,faz parte da vida
dessa misteriosa fonte onde todos nascem
e pisam seu chão com todo o seu mult/universo
humano...do Homem.

domingo, 1 de março de 2009

Uma navegante(Autora:Graça Penna)

Ela anda bem estranha... lunática...
Agora vive a navegar o mar de Minas
descobre estrelas,procura cometas...
Não importa onde esteja, vive encantada,
com esse mar de Minas.
Um mar que a presenteia com belezas,
que só a natureza é capaz,
Mar de Minas estrelado,de lua cheia e,
após a tempestade um imenso arco -íris
com a promessa de belos dias ensolarados...
com muitas cores alegres,que a fazem sorrir
para a vida.
esse renascimento que o mar de Minas
como uma mágica,
desperta na vida dessa navegante.

Texto de Rubem Alves.

O mar de Minas não é no mar.
O mar de Minas é no céu,
pro mundo olhar pra cima e navegar
sem nunca ter um porto onde chegar.


-também as montanhas de Minas são parte do enorme
animal que é o universo... Quem sabe Passárgada?
Ou Maracangalha?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

(1 coríntius 13)

Ainda que eu fale a língua dos homens e dos
[anjos,
Se não tiver amor, serei como o bronze que
[ soa ou como o sino que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e
[conheça todos os mistérios; e ainda que eu
[ tenha tanta fé a ponto de transportar
[ montes, se não tiver amor, nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens
[entre os pobres e ainda que entregue o meu
[ próprio corpo para ser queimado, se não tiver
[ amor, nada disso me aproveitará.
O amor tem paciência.
Deseja o bem.
Não queima em ciúmes.
Não manipula a pessoa amada.
Não se julga superior.
Não se gaba.
Não humilha os outros.
Não busca seus próprios interesses.
Não faz contabilidade do mal.
Não se alegra com a injustiça,
Mas regozija-se com a verdade.
O amor aceita sofrer,
Aposta na bondade,
Não perde a esperança,
E fica firme.
Profecias acabarão .
Línguas estranhas cessarão.
A ciência envelhecerá.
Mas o amor será sempre jovem. Nunca acabará.
Agora o que vemos é como uma imagem
[ embaçada
refletida num espelho mal polido. Tudo é
[ confuso.
Mas chegará um dia em que veremos a
[ verdade face a face.
Agora o que temos são
A confiança,
A esperança e
O amor.
Mas desses três o maior é o amor.

Poema de Mário Quintana.

Se as estrelas são inatingíveis
isso não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
a mágica presença das estrelas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Poema de Cecília Meireles.


No mistério do Sem-Fim,equilibra-se um
[planeta.

No planeta um jardim.
No jardim um canteiro.
No canteiro uma violeta.
E na Violeta,
Entre o mistério do Sem-Fim e o planeta,
O dia inteiro,
A asa de uma borboleta.