domingo, 7 de dezembro de 2008

Eu e minhas emoções (Autora: Graça Penna)


Na casa em que é meu aconchego
está a minha paz e o meu"Eu" que,
me perturba;
na incerteza de saber quem sou, sinto preguiça
de aceitar a, outra que existe em mim;
na montanha que desenho com o meu olhar de silêncio
está o pôr-do-sol que me faz sonhar;
na caminhada que ensaio está o presente,
o agora e a flor que procuro;
nas ruas de minha cidade estão meus risos,minhas,
vontades ,alguém que me perturba;
na incerteza do meu "Eu"olho para o chão,
vejo a minha sombra como se estivesse,
projetada em um espelho de asfalto,
e vejo-me incrivelmente humana.
Sorrio, para mim é tudo.
Sou vida.

O Elefante (Autor :Eduardo Galeano)


Quando eu era criança minha avó me contou a fábula dos cegos e do elefante. Três cegos estavam diante do elefante.Um deles apalpou a cauda do animal e disse: -É uma corda. Outro acariciou uma pata do elefante e opinou: É uma coluna. O terceiro cego apoiou a mão no corpo do elefante e adivinhou: -É uma parede. Assim estamos cegos, cegos de nós, cegos do mundo. A cultura dominante,cultura de desvínculo, quebra a história passada como quebra a realidade presente; e proíbe que o quebra-cabeças seja armado.




Obs:essa é uma jóia de Eduardo Galeano é um retrato em que todos podem refletir em um texto simples e extremamente didático, a importância de ler as entrelinhas com senso crítico para não formar opiniões que não correspondem a realidade.Essa tem que ser analisada no contexto da sua totalidade e não fraguimentada . Toda analise em fraguimentos não corresponde a realidade. Resultado: o simplismo em interpretações,na verdade o importante está nas entrelinhas.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Crise financeira ou crise de valores humanistas

O assunto do momento é a crise do capitalismo. Uma crise sem precedentes, não só na área financeira, na área energética, na alimentar e ambiental, essa tão grave que é uma questão de sobrevivência das espécies, deveria ser colocada não como salvar o ambiente mas sim como não nos auto- destruirmos . Enquanto muitos cidadãos ficam enlouquecidos com perdas de sono por estar perdendo dinheiro nas Bolsas,mercado financeiro e a falência de empresas que podem levá-los a modificar as atitudes exageradas de consumo. Que convenhamos, vivemos um modelo econômico, que incentiva todos os excessos de produção e consumo de badulaques que não necessitamos. Nunca se preocupam com produtos prioritários, para as mínimas necessidades básicas do ser humano mas sim produtos caros e supérfluos. Os ricos ficam mais ricos na ciranda financeira e os pobres mais pobres sem as mínimas condições de ter acesso aos produtos básicos para viver com dignidade. A crise é uma consequência dos gastos de um dinheiro financiado por bancos para que os ricos fiquem mais ricos as custas das classes mais baixas que são incentivadas a consumir produtos que não são prioritários. As pessoas sensatas se perguntam onde buscaram tanto dinheiro para socorrer bancos e empresas. Enquanto existe tanta miséria no mundo e os Cínicos diziam que não tinham dinheiro para quem passa fome.E à custa dessa miséria da maioria esse sistema se sustentou;gastaram mais do que podiam.A ordem era comprar, financiar e consumir mais e mais. Sabemos que mais uma vez quem vai pagar a conta serão os maisfracos os pobres,mão de obra barata,falta de empregos,menores salários ,que resumem-se em: exploração e pobreza e lucros dos socorridos "riquinhos" admiravelmente maiores. Existem também as pessoas ótimistas com essa crise ,cogitam quem sabe a possibilidade de um sistema capitalista menos selvagem mais próximo do socialismo, possibilidade remota infelizmente, o individualismo e o egoísmo de interesses particulares estão no seu apogeu Quem dera mesmo que essas montadoras de carros que estão pedindo socorro financeiro não fossem a falência. Nunca se preocuparam em pesquisar carros que fossem menos poluentes ,seus carros são poluidores atmosféricos dos mais danosos ao ambiente. Chega de carro nas ruas! As grandes cidades teriam um transito melhor e seus habitantes melhor qualidade de vida . Certamente, os meios de transportes priorizados seriam para a coletividade. Está na hora do mundo refletir sobre os acidentes ecológicos ,o esgotamento das riquezas naturais que terão que impor um limite no movimento capital. Aliás quanto dinheiro de papel sem lastro existe por ai? Será que um dia vão comer papel? Não pensemos apenas na crise financeira,vai muito além dela,é preciso repensar as pessoas,o individualismo e a ganância desmedida. Nas crises costumam-se surgir ideias novas como oportunidades de melhorar ou então o esfacelamento total. Com grande sabedoria nosso Zeca Baleiro disse bem: "Essa crise financeira é o menor problema que temos. Falta saúde mental ao mundo, amor, paixão, respeito, bondade, coragem, todas essas coisas fora de moda". E eu Maria das Graças uma cultivadora de valores fora de moda, na minha humildade tenho a ousadia de assinar embaixo das palavras do brilhante Zeca Baleiro.

sábado, 22 de novembro de 2008

Eu, Etiqueta (autor: Carlos Drummond de Andrade)

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome...estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta,a marca de cigarro
Que não fumo, e que até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio,meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso,meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico do sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso,abuso,reincidências.
Costume,hábito,premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim um homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou,estou na moda.
É duro andar na moda,ainda que a moda
Seja negar a minha identidade,
Trocá-la por mil,açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros,tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana,invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer principalmente)
E nisto me comprazo,tiro glória
De minha anulação.
Não sou- vê lá- anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar,para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva ,independente,
Que moda ou suborno a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto,cada olhar,
Cada vinco de roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia,não de casa,
Da vitrine me tiram,recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo de outros
Objetos estáticos,tarifados.
Por me ostentar assim,tão orgulhoso
De não ser eu,mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu novo nome é Coisa.
Eu sou a coisa,coisamente.

Poema de Brecht

"Nós vos pedimos com insistência Nunca digam- Isso é natural! Diante dos acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão, Em que corre o sangue, Em que o arbitrário tem força de lei, Em que a humanidade se desumaniza... Não digam nunca: Isso é natural! A fim de que nada se passe a ser imutável."



Obs: O poema de Brecht nunca esteve tão atual para a época em que vivemos. Onde tudo é natural! É natural banalizar a violência, a vida, e todos os valores parecem deixaram de existir... estão fora de moda. Isso não é natural!

Poderosas Gaivotas(autora: Graça Penna Guerra)



Ontem sonhei com gaivotas
a dançar o ballet das águas
numa coreografia da vida
na alegria das ondas a brincar.
Carrega em suas asas a canção
da esperança de pousar em outra praia
e se refrescar em outra onda de outro mar
Quem sabe em qual mar?
Talvez encontre um companheiro
e se entrelacem na dança do amor.
Uma gaivota sempre será a sublime meditação.
Será de que praia ou mares vieram?
Será que segredos trazem em suas asas,
das longas viagens de tantas noites e dias.
As gaivotas sempre serão gaivotas.
Com o poder de silenciar o homem
para acompanhar, encantar com a sua dança nas águas.
O homem medita sobre a fragilidade humana.
O homem sonha com o seu amor e liberdade.
Oh,poderosas gaivotas!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Reflexões sobre crianças




Cada criança que nasce traz uma nova benção para a família.(Máxima Judaica)

As palavras das crianças são o ornamento da vida neste mundo.(Alcorão)

A melhor maneira de formar crianças boas é fazê-las felizes.(Oscar Wilde)

Enquanto permitirem que crianças sofram, não existirá amor verdadeiro na terra.( Isadora Duncan)

Um bebê é a opinião de Deus que o mundo deve prosseguir.( Carl Sandburg)

A criança necessita mais de exemplos do que de censuras. (Joseph Joubert)

Cada criança, ao nascer, nos traz a mensagem de que Deus não perdeu a esperança nos homens. (Rabindranath Tagore)

Se o pai dá o filho,ambos riem; se o filho dá ao pai,ambos choram. (sabedoria Judaica)